Só guardando minha url wonderful mesmo u.u

Já era tarde e eu fiquei surpresa ao abrir a porta. Era ele. Ele havia chegado esbaforido em minha casa (apesar de não saber como descobrira minha nova casa), com o cabelo bagunçado e a jaqueta fora do lugar. Tinha algo em mãos, não consegui entender o que seria, até que ele me mostra melhor um pequeno álbum e quebra o silêncio que nos acompanhava:─ Você se lembra disso? Você me entregou quando fizemos um ano de amizade com fotos de datas especiais para nós e deixou um ultimo espaço, para eu escolher qual foto por, qual data especial escolher pra por naquele espaço. Passei tempos pensando e resolvi guardar para preencher aquele espacinho depois. Até que você começou a namorar, eu também, e aquela velha história de “nenhum namoro irá atrapalhar nossa amizade” não funcionou. Nós nos afastamos. Eu fui sentindo a sua falta aqui e você sentindo a minha lá, os dois orgulhosos, nenhuma conversa. Então dois anos passam e meu namoro acaba; tudo que eu queria naquele momento era te ter do meu lado, era ouvir tuas palavras, ter tua ajudar, sair, rir sem parar, sentir teu cheiro… Tinha necessidade de ti naquele momento. Naquele momento e todos os outros dias que vinham. Precisava te ter do meu lado. Fui revirar tuas coisas que ficavam lá na minha casa e achei o álbum que tu me destes; comecei a pensar em tudo que vivemos e resolvi pensar na foto que iria por no pequeno espaço, acabei tendo o impulso de vir aqui, mesmo sendo 3:27 da madrugada. Resolvi mesmo que a data especial seria hoje.     Silêncio. Eu não sabia o que falar. Ele continuou.─ Nossa amizade começou com uma casquinha de sorvete, lembras? Estávamos na mesma sorveteria e assim que entrei vi que o teu sorvete caindo, te dei meu dinheiro pra você comprar uma nova casquinha e você dividiu sua casquinha comigo. E nossa amizade ficou marcada pela casquinha de sorvete por isso sempre falávamos “quando precisares, irei dividir minha casquinha contigo.” por isso eu estou aqui, depois de dois anos sem nos falar. Quero te pedir uma coisa. Posso dividir minha casquinha de sorvete contigo pelo resto da minha vida? Quero te ter do meu lado, pequena. Quero te ter do meu lado para sempre. Que nosso aniversário de casamento seja comemorado com casquinhas de sorvete, que ainda possamos dividir casquinhas de sorvete quando velhinhos. Então, casa comigo, melhor amiga?     Eu ainda estava completamente pasma. Sorri e o abracei forte, passando o calor do meu corpo pro dele. Sussurrei ao pé do ouvido dele.─ Só dividiria casquinhas de sorvete se fosse com você. ─ B. Almeida

Já era tarde e eu fiquei surpresa ao abrir a porta. Era ele. Ele havia chegado esbaforido em minha casa (apesar de não saber como descobrira minha nova casa), com o cabelo bagunçado e a jaqueta fora do lugar. Tinha algo em mãos, não consegui entender o que seria, até que ele me mostra melhor um pequeno álbum e quebra o silêncio que nos acompanhava:

─ Você se lembra disso? Você me entregou quando fizemos um ano de amizade com fotos de datas especiais para nós e deixou um ultimo espaço, para eu escolher qual foto por, qual data especial escolher pra por naquele espaço. Passei tempos pensando e resolvi guardar para preencher aquele espacinho depois. Até que você começou a namorar, eu também, e aquela velha história de “nenhum namoro irá atrapalhar nossa amizade” não funcionou. Nós nos afastamos. Eu fui sentindo a sua falta aqui e você sentindo a minha lá, os dois orgulhosos, nenhuma conversa. Então dois anos passam e meu namoro acaba; tudo que eu queria naquele momento era te ter do meu lado, era ouvir tuas palavras, ter tua ajudar, sair, rir sem parar, sentir teu cheiro… Tinha necessidade de ti naquele momento. Naquele momento e todos os outros dias que vinham. Precisava te ter do meu lado. Fui revirar tuas coisas que ficavam lá na minha casa e achei o álbum que tu me destes; comecei a pensar em tudo que vivemos e resolvi pensar na foto que iria por no pequeno espaço, acabei tendo o impulso de vir aqui, mesmo sendo 3:27 da madrugada. Resolvi mesmo que a data especial seria hoje.

     Silêncio. Eu não sabia o que falar. Ele continuou.

─ Nossa amizade começou com uma casquinha de sorvete, lembras? Estávamos na mesma sorveteria e assim que entrei vi que o teu sorvete caindo, te dei meu dinheiro pra você comprar uma nova casquinha e você dividiu sua casquinha comigo. E nossa amizade ficou marcada pela casquinha de sorvete por isso sempre falávamos “quando precisares, irei dividir minha casquinha contigo.” por isso eu estou aqui, depois de dois anos sem nos falar. Quero te pedir uma coisa. Posso dividir minha casquinha de sorvete contigo pelo resto da minha vida? Quero te ter do meu lado, pequena. Quero te ter do meu lado para sempre. Que nosso aniversário de casamento seja comemorado com casquinhas de sorvete, que ainda possamos dividir casquinhas de sorvete quando velhinhos. Então, casa comigo, melhor amiga?

     Eu ainda estava completamente pasma. Sorri e o abracei forte, passando o calor do meu corpo pro dele. Sussurrei ao pé do ouvido dele.

─ Só dividiria casquinhas de sorvete se fosse com você. B. Almeida


“Sentei-me pesadamente na cadeira daquele local, uma pequena e charmosa padaria. Era uma manhã fria, uma leve ventania atingia a copa de algumas árvores, derrubando as folhas secas que se formavam com aquele tempo de outono, dentro da padaria havia um clima morno e aconchegante - e um forte cheiro de pão e café - era um lugar calmo. Estava esperando por ele, na noite passada recebi uma breve ligação de sua voz rouca e lenta - já havia alguns dias que não nos víamos - era um pedido para tomarmos café da manhã no local que nos conhecemos, ele desligou em seguida. Foi uma noite em claro, imaginando mil e uma, e duas e três coisas - todas ruins é claro, com ele longe, só poderia ser algo ruim - seu lado da cama ficou vazio e minha mente cheia.
Estava impaciente naquele local, recusei os pedidos, balançava o pé que estava no alto pelas pernas cruzadas, ouvi o som daquele sininho quando a porta se abriu, uma figura alta de cabelos e olhos castanhos - a minha figura alta dos cabelos e olhos castanhos - seus olhos brilhavam na minha direção, seu sorriso sorria para meus lábios, ele andou lentamente até minha mesa, sentando-se ainda fixado em meu rosto.
-Senti sua falta pequena. - Meus músculos tensos relaxaram, não era nada ruim afinal, não era um rompimento, não estava me trocando por alguém melhor.
-Senti muito mais a sua, me deixou preocupada, aonde esteve?
-Calma. - A mão dele procurou a minha por cima da mesa, segurando a palma da mão e brincando com os dedos. -Fui arrumar nosso futuro.
Ele abriu um sorriso vendo minha expressão desconfiada.
-Lembra aquela casinha toda bonitinha que você tinha adorado? Então. - Meus lábios se entreabriram, mas ele me interrompeu. - E lembra aquela aliança que você me disse que estava namorando?Então. - ele começou a remexer em um bolso, tirando uma pequena aliança de ouro.
-Isso quer dizer que…
-Quer casar comigo?”  — B. Almeida

Sentei-me pesadamente na cadeira daquele local, uma pequena e charmosa padariaEra uma manhã fria, uma leve ventania atingia a copa de algumas árvores, derrubando as folhas secas que se formavam com aquele tempo de outono, dentro da padaria havia um clima morno e aconchegante - e um forte cheiro de pão e café - era um lugar calmo. Estava esperando por ele, na noite passada recebi uma breve ligação de sua voz rouca e lenta - já havia alguns dias que não nos víamos - era um pedido para tomarmos café da manhã no local que nos conhecemos, ele desligou em seguida. Foi uma noite em claro, imaginando mil e uma, e duas e três coisas - todas ruins é claro, com ele longe, só poderia ser algo ruim - seu lado da cama ficou vazio e minha mente cheia.

Estava impaciente naquele local, recusei os pedidos, balançava o pé que estava no alto pelas pernas cruzadas, ouvi o som daquele sininho quando a porta se abriu, uma figura alta de cabelos e olhos castanhos - a minha figura alta dos cabelos e olhos castanhos - seus olhos brilhavam na minha direção, seu sorriso sorria para meus lábios, ele andou lentamente até minha mesa, sentando-se ainda fixado em meu rosto.

-Senti sua falta pequena. - Meus músculos tensos relaxaram, não era nada ruim afinal, não era um rompimento, não estava me trocando por alguém melhor.

-Senti muito mais a sua, me deixou preocupada, aonde esteve?

-Calma. - A mão dele procurou a minha por cima da mesa, segurando a palma da mão e brincando com os dedos. -Fui arrumar nosso futuro.

Ele abriu um sorriso vendo minha expressão desconfiada.

-Lembra aquela casinha toda bonitinha que você tinha adorado? Então. - Meus lábios se entreabriram, mas ele me interrompeu. - E lembra aquela aliança que você me disse que estava namorando?Então. - ele começou a remexer em um bolso, tirando uma pequena aliança de ouro.

-Isso quer dizer que…

-Quer casar comigo?  — B. Almeida

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Aperte o play e leia.

Ela chegou em seu quarto, finalmente, e desabou sobre a cama, desnorteada. Não, isso não podia estar acontecendo. Mágoa, desapontamento, decepção, amor, tristeza, revolta, culpa, coração partido, todos os sentimentos mais controvérsios juntos escapando por seus olhos, já vermelhos de tantas lágrimas, lágrimas estas que teimavam em lhe escorrer por seu rosto já castigados por tal oceano que lhe cegava. Não entendia, não aceitava, e um enorme e horrível sentimento de culpa a possuía “o que foi que eu fiz de errado?” ela pensava, inutilmente, sem encontrar resposta alguma. Olhou para a pequena escrivaninha no outro canto do quarto e um brilho metálico a seduziu. Aquela tesoura já tirara muito sangue de seu corpo, mas estes momentos pareciam pertencer a outra era, uma época sem ele. Ele chegara em sua vida sem avisar e nem pedir licença e de repente mudou tudo. Foram tantos momentos, sorrisos, promessas…Uma delas era nunca mais praticar ato tão cruel com seu próprio corpo, mas ela não aguentava mais, aproximou-se da pequena escrivaninha e ouviu um sussurro em sua mente, estremeceu ao reconhecer aquela voz como a dele, e ouviu seu sussurro em seu ouvido “Não faça isso, você me prometeu”. Paralisou-se por um momento, mas logo a revolta a dominou “Você também me prometeu muitas coisas, mas também não as cumpriu, não foi?” disse consigo mesma indo em direção a tesoura “me prometeu que estaria comigo sempre, que nunca me deixaria, cadê você agora?”. Foi em direção a tesoura quando viu um pequeno pedaço de papel dobrado embaixo dela, distraiu-se por um momento e começou a ler:

 “Ei, espere. Me faz um favor? Larga essa tesoura que eu sei que está na sua mão, ligue o rádio e me escute. Sim, sou eu, e eu sei que você está com raiva de mim, mas continue lendo, por favor. Sim, essa é a nossa música, é o CD que gravei para você, lembra? Ah, pequena, enquanto escrevo este bilhete vejo as lágrimas que devem estar caindo em seus olhos, e não aguento ter consciência desse teu rosto,tão lindo,repleto de lágrimas, sem poder as secar e, pior ainda, sendo o motivo delas, mas espero que entenda meus motivos e saiba que eu nunca teria feito isso se tivesse qualquer outra opção. Primeiro, largue esta tesoura, você me prometeu, lembra? E eu sei que eu também fiz promessas, e não as cumpri, mas eu vou cumprir, você vai ver. Eu sei que terminei com você sem motivo aparente, justo agora que estava tudo tão bom não é mesmo? Justo agora, em que tínhamos conseguido enfrentar todas as inúmeras barreiras que a vida nos impôs e o nosso contos de fadas estava apenas começando. Mal sabes que a maior das barreiras é uma que nunca conseguiríamos enfrentar, pequena. E eu não queria, não quero, não suporto fazer isso, mas não vejo outra saída, não há outra saída, acredite, já passei milhares de noites em claro tentando encontrar alguma. Sei que parti seu coração, e talvez você me odeie pra sempre, mas mesmo assim quero, preciso, te explicar.   Não comentei nada antes por medo de te fazer sofrer, e sei que acabei provocando sua dor da mesma forma, tentei prorrogá-la para ser a menor possível, mas não posso ir sem te contar a verdade, crua, inteira e sem cortes, está preparada? Isso pode doer um pouco. Lembra-se que de uns tempos pra cá venho me sentindo mal, com falta de ar e muitas vezes sem ânimo de sair? Bem, isso não é por acaso. Estou doente, e não é apenas um simples resfriado, estou muito doente de verdade.  Há alguns anos, mais precisamente um mês antes de te conhecer, descobri que possuo uma doença chamada Enfisema Pulmonar. Lembra-se de que meu pai fumava? A fumaça do cigarro causou essa doença, matou meu pai, e vai me matar também. Esta doença não tem cura, vai te matando aos poucos, mas é possível viver bastante tempo, mesmo contendo-a, como eu consegui. Consegui por muito tempo, mas agora minha hora chegou, os médicos disseram que meu caso está se agravando, meu pulmão não consegue mais trabalhar sozinho e eu não quero ser um vegetal, vivendo com máquinas, apenas respirando e comendo, sem poder fazer nada, sem poder viver de verdade, com você, coisa que nunca mais poderei fazer. Foi por isso, pequena, que terminei com você sem aparentemente motivo algum. Não quero que você sofra ainda mais quando eu me for. Irei morrer logo, talvez hoje, amanhã, no máximo semana que vem, mas acho que não passo de hoje, estou me sentindo cada segundo pior e minha respiração, que nunca veio com muita facilidade, está cada vez mais difícil. Pequena, me perdoe, te deixar é a coisa mais difícil que faço, mas é algo que não consigo mais enfrentar, só consegui viver até hoje por você, tu deste-me forças para continuar, mas agora nem mesmo esse infinito amor que sinto por ti consegue me manter vivo. Peço-lhe que continue sua vida, ache alguém, sorria, seja feliz, viva. Tudo que eu mais queria é poder viver esta vida com você, mas infelizmente meu tempo acabou e lhe escrever esta carta é a última coisa que farei na vida. Perdão, não consegui reunir coragem o suficiente para lhe dizer isso pessoalmente, mas lembra daquele beijo antes do nosso término? Nosso último beijo, e quero que lembre-se de mim sempre daquele jeito, e assim viverei eternamente, eternamente seu. 

Lembra-se das promessas que eu disse que cumpriria? E irei. Prometi que te amaria pra sempre, e nunca nem em um milhão de anos conseguiria te amar menos do que eternamente. Prometi que nunca te deixaria e apesar de não mais poder estar fisicamente perto de ti sempre estarei olhando por você e te protegendo, mesmo longe. Serei teu anjo. Prometi que iríamos namorar por alguns anos e depois nos casar, não foi? Abra sua gaveta e pegue a pequena caixa que guardei aí, queria poder fazer o pedido formal, mas não há tempo pra isso…

“Casa comigo?”

Sei que logo encontrarás outro que lhe faça feliz e lhe ame muito, porque não te amar é impossível, e não quero lhe prender, quero que seja feliz, por nós dois, mas quero te ter como minha mulher, pelo menos por um tempo. Use esta aliança até encontrar o tal homem que lhe falei, por favor? A minha já está em meu dedo e continuará aqui pra sempre. Me lembro do primeiro dia em que te vi, me apaixonei pelo sorriso daquela linda garota, que sorria para mim, tímida, e não quero que teu sorriso, tão lindo, se transforme em lágrimas, não chore por mim, pequena, por favor. Sentirei tua falta mais do que posso explicar em palavras, mas peço que siga em frente, mesmo que doa pensar em te ver com outra pessoa, sei que é o melhor para você, seja feliz, pequena, muito feliz, porque você merece toda a felicidade que nunca conseguirei lhe dar. Meu tempo está se esgotando e logo nada mais poderei falar, nem escrever, me perdoe pelas mentiras, mas gostaria de lhe dizer apenas uma última vez as palavras mais verdadeiras que já lhe disse em toda a minha vida: eu te amo. Amo eternamente, imensurável e verdadeiramente, amo mesmo sem mais viver, amo mesmo sem mais te tocar, amo agora da mesma forma que amarei pra sempre, mesmo tão distante de ti.”

Ela dobrou a carta, já gasta pelo tempo, secou as lágrimas que caiam toda vez que a lia e olhou para a aliança em sua mão, envolvida pelas rugas que se formavam em  sua pele, estava ali há tanto tempo que parecia fazer parte de seu corpo. Ele havia partido há 50 anos, e ela continuou vivendo apenas porque ele lhe pediu, foi muito feliz, mas ela nunca achara o tal homem de quem ele se referia, e ela tinha certeza que era porque já tinha o encontrado, apenas não teve tempo para viver com ele o que eles mereciam viver juntos. — B. Almeida

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Ela chegou em seu quarto, finalmente, e desabou sobre a cama, desnorteada. Não, isso não podia estar acontecendo. Mágoa, desapontamento, decepção, amor, tristeza, revolta, culpa, coração partido, todos os sentimentos mais controvérsios juntos escapando por seus olhos, já vermelhos de tantas lágrimas, lágrimas estas que teimavam em lhe escorrer por seu rosto já castigados por tal oceano que lhe cegava. Não entendia, não aceitava, e um enorme e horrível sentimento de culpa a possuía “o que foi que eu fiz de errado?” ela pensava, inutilmente, sem encontrar resposta alguma. Olhou para a pequena escrivaninha no outro canto do quarto e um brilho metálico a seduziu. Aquela tesoura já tirara muito sangue de seu corpo, mas estes momentos pareciam pertencer a outra era, uma época sem ele. Ele chegara em sua vida sem avisar e nem pedir licença e de repente mudou tudo. Foram tantos momentos, sorrisos, promessas…Uma delas era nunca mais praticar ato tão cruel com seu próprio corpo, mas ela não aguentava mais, aproximou-se da pequena escrivaninha e ouviu um sussurro em sua mente, estremeceu ao reconhecer aquela voz como a dele, e ouviu seu sussurro em seu ouvido “Não faça isso, você me prometeu”. Paralisou-se por um momento, mas logo a revolta a dominou “Você também me prometeu muitas coisas, mas também não as cumpriu, não foi?” disse consigo mesma indo em direção a tesoura “me prometeu que estaria comigo sempre, que nunca me deixaria, cadê você agora?”. Foi em direção a tesoura quando viu um pequeno pedaço de papel dobrado embaixo dela, distraiu-se por um momento e começou a ler:

 “Ei, espere. Me faz um favor? Larga essa tesoura que eu sei que está na sua mão, ligue o rádio e me escute. Sim, sou eu, e eu sei que você está com raiva de mim, mas continue lendo, por favor. Sim, essa é a nossa música, é o CD que gravei para você, lembra? Ah, pequena, enquanto escrevo este bilhete vejo as lágrimas que devem estar caindo em seus olhos, e não aguento ter consciência desse teu rosto,tão lindo,repleto de lágrimas, sem poder as secar e, pior ainda, sendo o motivo delas, mas espero que entenda meus motivos e saiba que eu nunca teria feito isso se tivesse qualquer outra opção. Primeiro, largue esta tesoura, você me prometeu, lembra? E eu sei que eu também fiz promessas, e não as cumpri, mas eu vou cumprir, você vai ver. Eu sei que terminei com você sem motivo aparente, justo agora que estava tudo tão bom não é mesmo? Justo agora, em que tínhamos conseguido enfrentar todas as inúmeras barreiras que a vida nos impôs e o nosso contos de fadas estava apenas começando. Mal sabes que a maior das barreiras é uma que nunca conseguiríamos enfrentar, pequena. E eu não queria, não quero, não suporto fazer isso, mas não vejo outra saída, não há outra saída, acredite, já passei milhares de noites em claro tentando encontrar alguma. Sei que parti seu coração, e talvez você me odeie pra sempre, mas mesmo assim quero, preciso, te explicar.   Não comentei nada antes por medo de te fazer sofrer, e sei que acabei provocando sua dor da mesma forma, tentei prorrogá-la para ser a menor possível, mas não posso ir sem te contar a verdade, crua, inteira e sem cortes, está preparada? Isso pode doer um pouco. Lembra-se que de uns tempos pra cá venho me sentindo mal, com falta de ar e muitas vezes sem ânimo de sair? Bem, isso não é por acaso. Estou doente, e não é apenas um simples resfriado, estou muito doente de verdade.  Há alguns anos, mais precisamente um mês antes de te conhecer, descobri que possuo uma doença chamada Enfisema Pulmonar. Lembra-se de que meu pai fumava? A fumaça do cigarro causou essa doença, matou meu pai, e vai me matar também. Esta doença não tem cura, vai te matando aos poucos, mas é possível viver bastante tempo, mesmo contendo-a, como eu consegui. Consegui por muito tempo, mas agora minha hora chegou, os médicos disseram que meu caso está se agravando, meu pulmão não consegue mais trabalhar sozinho e eu não quero ser um vegetal, vivendo com máquinas, apenas respirando e comendo, sem poder fazer nada, sem poder viver de verdade, com você, coisa que nunca mais poderei fazer. Foi por isso, pequena, que terminei com você sem aparentemente motivo algum. Não quero que você sofra ainda mais quando eu me for. Irei morrer logo, talvez hoje, amanhã, no máximo semana que vem, mas acho que não passo de hoje, estou me sentindo cada segundo pior e minha respiração, que nunca veio com muita facilidade, está cada vez mais difícil. Pequena, me perdoe, te deixar é a coisa mais difícil que faço, mas é algo que não consigo mais enfrentar, só consegui viver até hoje por você, tu deste-me forças para continuar, mas agora nem mesmo esse infinito amor que sinto por ti consegue me manter vivo. Peço-lhe que continue sua vida, ache alguém, sorria, seja feliz, viva. Tudo que eu mais queria é poder viver esta vida com você, mas infelizmente meu tempo acabou e lhe escrever esta carta é a última coisa que farei na vida. Perdão, não consegui reunir coragem o suficiente para lhe dizer isso pessoalmente, mas lembra daquele beijo antes do nosso término? Nosso último beijo, e quero que lembre-se de mim sempre daquele jeito, e assim viverei eternamente, eternamente seu. 

Lembra-se das promessas que eu disse que cumpriria? E irei. Prometi que te amaria pra sempre, e nunca nem em um milhão de anos conseguiria te amar menos do que eternamente. Prometi que nunca te deixaria e apesar de não mais poder estar fisicamente perto de ti sempre estarei olhando por você e te protegendo, mesmo longe. Serei teu anjo. Prometi que iríamos namorar por alguns anos e depois nos casar, não foi? Abra sua gaveta e pegue a pequena caixa que guardei aí, queria poder fazer o pedido formal, mas não há tempo pra isso…

“Casa comigo?”

Sei que logo encontrarás outro que lhe faça feliz e lhe ame muito, porque não te amar é impossível, e não quero lhe prender, quero que seja feliz, por nós dois, mas quero te ter como minha mulher, pelo menos por um tempo. Use esta aliança até encontrar o tal homem que lhe falei, por favor? A minha já está em meu dedo e continuará aqui pra sempre. Me lembro do primeiro dia em que te vi, me apaixonei pelo sorriso daquela linda garota, que sorria para mim, tímida, e não quero que teu sorriso, tão lindo, se transforme em lágrimas, não chore por mim, pequena, por favor. Sentirei tua falta mais do que posso explicar em palavras, mas peço que siga em frente, mesmo que doa pensar em te ver com outra pessoa, sei que é o melhor para você, seja feliz, pequena, muito feliz, porque você merece toda a felicidade que nunca conseguirei lhe dar. Meu tempo está se esgotando e logo nada mais poderei falar, nem escrever, me perdoe pelas mentiras, mas gostaria de lhe dizer apenas uma última vez as palavras mais verdadeiras que já lhe disse em toda a minha vida: eu te amo. Amo eterna, imensurável e verdadeiramente, amo mesmo sem mais viver, amo mesmo sem mais te tocar, amo agora da mesma forma que amarei pra sempre, mesmo tão distante de ti.”

Ela dobrou a carta, já gasta pelo tempo, secou as lágrimas que caiam toda vez que a lia e olhou para a aliança em sua mão, envolvida pelas rugas que se formavam em  sua pele, estava ali há tanto tempo que parecia fazer parte de seu corpo. Ele havia partido há 50 anos, e ela continuou vivendo apenas porque ele lhe pediu, foi muito feliz, mas ela nunca achara o tal homem de quem ele se referia, e ela tinha certeza que era porque já tinha o encontrado, apenas não teve tempo para viver com ele o que eles mereciam viver juntos. — B. Almeida

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Ela chegou em seu quarto, finalmente, e desabou sobre a cama, desnorteada. Não, isso não podia estar acontecendo. Mágoa, desapontamento, decepção, amor, tristeza, revolta, culpa, coração partido, todos os sentimentos mais controvérsios juntos escapando por seus olhos, já vermelhos de tantas lágrimas, lágrimas estas que teimavam em lhe escorrer por seu rosto já castigados por tal oceano que lhe cegava. Não entendia, não aceitava, e um enorme e horrível sentimento de culpa a possuía “o que foi que eu fiz de errado?” ela pensava, inutilmente, sem encontrar resposta alguma. Olhou para a pequena escrivaninha no outro canto do quarto e um brilho metálico a seduziu. Aquela tesoura já tirara muito sangue de seu corpo, mas estes momentos pareciam pertencer a outra era, uma época sem ele. Ele chegara em sua vida sem avisar e nem pedir licença e de repente mudou tudo. Foram tantos momentos, sorrisos, promessas…Uma delas era nunca mais praticar ato tão cruel com seu próprio corpo, mas ela não aguentava mais, aproximou-se da pequena escrivaninha e ouviu um sussurro em sua mente, estremeceu ao reconhecer aquela voz como a dele, e ouviu seu sussurro em seu ouvido “Não faça isso, você me prometeu”. Paralisou-se por um momento, mas logo a revolta a dominou “Você também me prometeu muitas coisas, mas também não as cumpriu, não foi?” disse consigo mesma indo em direção a tesoura “me prometeu que estaria comigo sempre, que nunca me deixaria, cadê você agora?”. Foi em direção a tesoura quando viu um pequeno pedaço de papel dobrado embaixo dela, distraiu-se por um momento e começou a ler:

 “Ei, espere. Me faz um favor? Larga essa tesoura que eu sei que está na sua mão, ligue o rádio e me escute. Sim, sou eu, e eu sei que você está com raiva de mim, mas continue lendo, por favor. Sim, essa é a nossa música, é o CD que gravei para você, lembra? Ah, pequena, enquanto escrevo este bilhete vejo as lágrimas que devem estar caindo em seus olhos, e não aguento ter consciência desse teu rosto,tão lindo,repleto de lágrimas, sem poder as secar e, pior ainda, sendo o motivo delas, mas espero que entenda meus motivos e saiba que eu nunca teria feito isso se tivesse qualquer outra opção. Primeiro, largue esta tesoura, você me prometeu, lembra? E eu sei que eu também fiz promessas, e não as cumpri, mas eu vou cumprir, você vai ver. Eu sei que terminei com você sem motivo aparente, justo agora que estava tudo tão bom não é mesmo? Justo agora, em que tínhamos conseguido enfrentar todas as inúmeras barreiras que a vida nos impôs e o nosso contos de fadas estava apenas começando. Mal sabes que a maior das barreiras é uma que nunca conseguiríamos enfrentar, pequena. E eu não queria, não quero, não suporto fazer isso, mas não vejo outra saída, não há outra saída, acredite, já passei milhares de noites em claro tentando encontrar alguma. Sei que parti seu coração, e talvez você me odeie pra sempre, mas mesmo assim quero, preciso, te explicar.   Não comentei nada antes por medo de te fazer sofrer, e sei que acabei provocando sua dor da mesma forma, tentei prorrogá-la para ser a menor possível, mas não posso ir sem te contar a verdade, crua, inteira e sem cortes, está preparada? Isso pode doer um pouco. Lembra-se que de uns tempos pra cá venho me sentindo mal, com falta de ar e muitas vezes sem ânimo de sair? Bem, isso não é por acaso. Estou doente, e não é apenas um simples resfriado, estou muito doente de verdade.  Há alguns anos, mais precisamente um mês antes de te conhecer, descobri que possuo uma doença chamada Enfisema Pulmonar. Lembra-se de que meu pai fumava? A fumaça do cigarro causou essa doença, matou meu pai, e vai me matar também. Esta doença não tem cura, vai te matando aos poucos, mas é possível viver bastante tempo, mesmo contendo-a, como eu consegui. Consegui por muito tempo, mas agora minha hora chegou, os médicos disseram que meu caso está se agravando, meu pulmão não consegue mais trabalhar sozinho e eu não quero ser um vegetal, vivendo com máquinas, apenas respirando e comendo, sem poder fazer nada, sem poder viver de verdade, com você, coisa que nunca mais poderei fazer. Foi por isso, pequena, que terminei com você sem aparentemente motivo algum. Não quero que você sofra ainda mais quando eu me for. Irei morrer logo, talvez hoje, amanhã, no máximo semana que vem, mas acho que não passo de hoje, estou me sentindo cada segundo pior e minha respiração, que nunca veio com muita facilidade, está cada vez mais difícil. Pequena, me perdoe, te deixar é a coisa mais difícil que faço, mas é algo que não consigo mais enfrentar, só consegui viver até hoje por você, tu deste-me forças para continuar, mas agora nem mesmo esse infinito amor que sinto por ti consegue me manter vivo. Peço-lhe que continue sua vida, ache alguém, sorria, seja feliz, viva. Tudo que eu mais queria é poder viver esta vida com você, mas infelizmente meu tempo acabou e lhe escrever esta carta é a última coisa que farei na vida. Perdão, não consegui reunir coragem o suficiente para lhe dizer isso pessoalmente, mas lembra daquele beijo antes do nosso término? Nosso último beijo, e quero que lembre-se de mim sempre daquele jeito, e assim viverei eternamente, eternamente seu. 

Lembra-se das promessas que eu disse que cumpriria? E irei. Prometi que te amaria pra sempre, e nunca nem em um milhão de anos conseguiria te amar menos do que eternamente. Prometi que nunca te deixaria e apesar de não mais poder estar fisicamente perto de ti sempre estarei olhando por você e te protegendo, mesmo longe. Serei teu anjo. Prometi que iríamos namorar por alguns anos e depois nos casar, não foi? Abra sua gaveta e pegue a pequena caixa que guardei aí, queria poder fazer o pedido formal, mas não há tempo pra isso…

“Casa comigo?”

Sei que logo encontrarás outro que lhe faça feliz e lhe ame muito, porque não te amar é impossível, e não quero lhe prender, quero que seja feliz, por nós dois, mas quero te ter como minha mulher, pelo menos por um tempo. Use esta aliança até encontrar o tal homem que lhe falei, por favor? A minha já está em meu dedo e continuará aqui pra sempre. Me lembro do primeiro dia em que te vi, me apaixonei pelo sorriso daquela linda garota, que sorria para mim, tímida, e não quero que teu sorriso, tão lindo, se transforme em lágrimas, não chore por mim, pequena, por favor. Sentirei tua falta mais do que posso explicar em palavras, mas peço que siga em frente, mesmo que doa pensar em te ver com outra pessoa, sei que é o melhor para você, seja feliz, pequena, muito feliz, porque você merece toda a felicidade que nunca conseguirei lhe dar. Meu tempo está se esgotando e logo nada mais poderei falar, nem escrever, me perdoe pelas mentiras, mas gostaria de lhe dizer apenas uma última vez as palavras mais verdadeiras que já lhe disse em toda a minha vida: eu te amo. Amo eterna, imensurável e verdadeiramente, amo mesmo sem mais viver, amo mesmo sem mais te tocar, amo agora da mesma forma que amarei pra sempre, mesmo tão distante de ti.”

Ela dobrou a carta, já gasta pelo tempo, secou as lágrimas que caiam toda vez que a lia e olhou para a aliança em sua mão, envolvida pelas rugas que se formavam em  sua pele, estava ali há tanto tempo que parecia fazer parte de seu corpo. Ele havia partido há 50 anos, e ela continuou vivendo apenas porque ele lhe pediu, foi muito feliz, mas ela nunca achara o tal homem de quem ele se referia, e ela tinha certeza que era porque já tinha o encontrado, apenas não teve tempo para viver com ele o que eles mereciam viver juntos. — B. Almeida

Pode pedir desculpas… desculpas pobres da boca pra fora. É bem fácil assim não é? Palavras vazias vindas de uma mente vazia; mais especificadamente falando, a sua mente. Acha que pode vir aqui, fazer aquela cara de perdão e mesmo assim não sentir o mínimo de culpa pelo o que cometera? Sinto muito, não consigo mais fingir que está tudo bem quando não está. Diz sentir receio para na manhã seguinte sair e fazer a mesma burrada. Digo-te apenas uma coisa, alias, digo-te uma última coisa, você pode se ajoelhar e pedir perdão, pode chorar e gastar toda água do teu corpo com isso, mas eu não sentirei nada. Não mais. — B. Almeida

Pode pedir desculpas… desculpas pobres da boca pra fora. É bem fácil assim não é? Palavras vazias vindas de uma mente vazia; mais especificadamente falando, a sua mente. Acha que pode vir aqui, fazer aquela cara de perdão e mesmo assim não sentir o mínimo de culpa pelo o que cometera? Sinto muito, não consigo mais fingir que está tudo bem quando não está. Diz sentir receio para na manhã seguinte sair e fazer a mesma burrada. Digo-te apenas uma coisa, alias, digo-te uma última coisa, você pode se ajoelhar e pedir perdão, pode chorar e gastar toda água do teu corpo com isso, mas eu não sentirei nada. Não mais— B. Almeida

Tranquei-me no banheiro e tão cedo não vou querer sair daqui, conforto-me com a água corrente que desce sobre minha face levando embora aquelas lágrimas de dor e amor ao mesmo tempo. Sentia-me indecisa, não conseguia distinguir qual sentimento tomava conta do meu ser. Deslocada e instável talvez fosse o que estava acontecendo comigo. Sem sentido algum fui levada a pensar em uma saída para aquela agonia que tomava conta do meu ser. Não entendia o porque de tudo isso  ter começado. Já estava gélida de tanto chorar e tentar sair de um sofrimento épico. Eu vi o tanto que tinha me tornado fraca e sensível. Como pude chegar ao ponto de me deixarem machucar a este modo? Realmente não sei onde errei, ou o que deixei de fazer.. Como eu e meu coração nunca tomamos tento continuamos a deixar-nos envolver demais com o amor[…] Talvez me faltaste cautela ao encaminhar pelos tão cruciantes passos dados em minha vida. E acredite, foram muitos passos, mas não evolui muito, eis que uma escolha errada faz-te regressar demasiadamente, exatamente o que me ocorreu. A cada dois passos dados, retornava outro. E assim sucessivamente. Aqui estou, em mais um de meus momentos de déjà-vu, encontrando-me, outra vez, com instintos e sentidos fracassados. Pergunto-me de antemão onde foi que errei, e pelo visto, a errada sou eu. Porque és real, vivemos tentando enumerar falhas e/ou imperfeições de caráter alheio, enquanto deveríamos na verdade, estar nos examinando num espelho. Porém, sem translucidez. É preciso deixar que a verdade faça parte de nosso interior.E assim o fiz: meu erro foi crer que todos à minha volta eram realmente pessoas que queriam-me bem, e principalmente, queriam fazer-me bem. Estava equivocada, outra vez. Porque na verdade, eram pessoas erradas nos lugares errados. Quando você espera demais de pessoas que de nada fazem por ti; quando tu aceitas a situação deplorável em que vive. Eu aceitei, e arco com consequências até hoje, com plena consciência de que estas perpetuarão ao longo de toda minha vida, eis que sou daquelas que se entrega, definitivamente. Eu me entreguei, e no momento, meu único anseio é pegar-me de volta e finalizar de uma vez por todas, esse meu estado de melancolia. — B. Almeida

Tranquei-me no banheiro e tão cedo não vou querer sair daqui, conforto-me com a água corrente que desce sobre minha face levando embora aquelas lágrimas de dor e amor ao mesmo tempo. Sentia-me indecisa, não conseguia distinguir qual sentimento tomava conta do meu ser. Deslocada e instável talvez fosse o que estava acontecendo comigo. Sem sentido algum fui levada a pensar em uma saída para aquela agonia que tomava conta do meu ser. Não entendia o porque de tudo isso  ter começado. Já estava gélida de tanto chorar e tentar sair de um sofrimento épico. Eu vi o tanto que tinha me tornado fraca e sensível. Como pude chegar ao ponto de me deixarem machucar a este modo? Realmente não sei onde errei, ou o que deixei de fazer.. Como eu e meu coração nunca tomamos tento continuamos a deixar-nos envolver demais com o amor[…] Talvez me faltaste cautela ao encaminhar pelos tão cruciantes passos dados em minha vida. E acredite, foram muitos passos, mas não evolui muito, eis que uma escolha errada faz-te regressar demasiadamente, exatamente o que me ocorreu. A cada dois passos dados, retornava outro. E assim sucessivamente. Aqui estou, em mais um de meus momentos de déjà-vu, encontrando-me, outra vez, com instintos e sentidos fracassados. Pergunto-me de antemão onde foi que errei, e pelo visto, a errada sou eu. Porque és real, vivemos tentando enumerar falhas e/ou imperfeições de caráter alheio, enquanto deveríamos na verdade, estar nos examinando num espelho. Porém, sem translucidez. É preciso deixar que a verdade faça parte de nosso interior.E assim o fiz: meu erro foi crer que todos à minha volta eram realmente pessoas que queriam-me bem, e principalmente, queriam fazer-me bem. Estava equivocada, outra vez. Porque na verdade, eram pessoas erradas nos lugares errados. Quando você espera demais de pessoas que de nada fazem por ti; quando tu aceitas a situação deplorável em que vive. Eu aceitei, e arco com consequências até hoje, com plena consciência de que estas perpetuarão ao longo de toda minha vida, eis que sou daquelas que se entrega, definitivamente. Eu me entreguei, e no momento, meu único anseio é pegar-me de volta e finalizar de uma vez por todas, esse meu estado de melancolia. — B. Almeida

“Uns amontoados de palavras começavam a invadir a minha mente naquela tarde de verão, as poucas nuvens do céu mostravam um tom de azul em extensão e as nuvens que faltavam no céu estavam em minha mente, anuviando os pensamentos e confundindo os sentidos. Meu olhar permanecia inexpressivo para o canto da parede e meu corpo imóvel e estirado por cima de um sofá de capa florida.Por fora nenhuma fagulha de vida, porém por dentro tudo funcionava como uma máquina á vapor. Tentando encaixar peça por peça de um enorme quebra-cabeça, eu tentava achar respostas às perguntas que martelavam em minha mente,procurava por lembranças e palavras que pudessem descrever como cheguei aquele estado deplorável, como perdi toda a confiança e amor-próprio? Como foi que fui perdendo tudo aos poucos? Como o nós que eu estava tão confiante que não seria finito está prestes a romper e se tornar novamente eu e você? Meu corpo sem vida fica apenas largado em algum canto, servindo de referencia para minha presença, enquanto meu espírito continua enclausurado dentro de mim, tentando encontrar aquela antiga-eu que sorria sem motivos aparentes, que filtrava a dor e deixava somente o aprendizado ou aquela eu que era reconhecível, acho que não me pareço nem com um ser humano, talvez com uma boneca de trapos, costurado com pequenos pedaços de momentos de dor, com os olhos negros sem vida, com o frágil corpo de pano inerte. Não há respostas para aquilo que desejo, não é? Mas qual é o meu desejo? Você? Nós? Eu? Paz? Carinho? Humanidade? Uma pizza? Vou me enclausurar novamente para tentar descobrir a resposta dessa nova dúvida que criei. Mas e se eu parasse de contestar e passasse a seguir oque meu coração manda me tornar um pouco menos racional, ir pelos instintos? Será que nossas brigas não me magoariam mais? Será que eu aceitaria todas as coisas que acredito serem erradas para não magoar? Faria escolhas erradas? Acho que pararia de respirar nos primeiros instantes. Então voltarei para meu casulo, e quando finalmente estiver preparada e fortalecida com todas as atrocidades do dia-a-dia, sairei desse casulo metamorfoseada, apenas me espere.  — B. Almeida

Uns amontoados de palavras começavam a invadir a minha mente naquela tarde de verão, as poucas nuvens do céu mostravam um tom de azul em extensão e as nuvens que faltavam no céu estavam em minha mente, anuviando os pensamentos e confundindo os sentidos. Meu olhar permanecia inexpressivo para o canto da parede e meu corpo imóvel e estirado por cima de um sofá de capa florida.Por fora nenhuma fagulha de vida, porém por dentro tudo funcionava como uma máquina á vapor. Tentando encaixar peça por peça de um enorme quebra-cabeça, eu tentava achar respostas às perguntas que martelavam em minha mente,procurava por lembranças e palavras que pudessem descrever como cheguei aquele estado deplorável, como perdi toda a confiança e amor-próprio? Como foi que fui perdendo tudo aos poucos? Como o nós que eu estava tão confiante que não seria finito está prestes a romper e se tornar novamente eu e você? Meu corpo sem vida fica apenas largado em algum canto, servindo de referencia para minha presença, enquanto meu espírito continua enclausurado dentro de mim, tentando encontrar aquela antiga-eu que sorria sem motivos aparentes, que filtrava a dor e deixava somente o aprendizado ou aquela eu que era reconhecível, acho que não me pareço nem com um ser humano, talvez com uma boneca de trapos, costurado com pequenos pedaços de momentos de dor, com os olhos negros sem vida, com o frágil corpo de pano inerte. Não há respostas para aquilo que desejo, não é? Mas qual é o meu desejo? Você? Nós? Eu? Paz? Carinho? Humanidade? Uma pizza? Vou me enclausurar novamente para tentar descobrir a resposta dessa nova dúvida que criei. Mas e se eu parasse de contestar e passasse a seguir oque meu coração manda me tornar um pouco menos racional, ir pelos instintos? Será que nossas brigas não me magoariam mais? Será que eu aceitaria todas as coisas que acredito serem erradas para não magoar? Faria escolhas erradas? Acho que pararia de respirar nos primeiros instantes. Então voltarei para meu casulo, e quando finalmente estiver preparada e fortalecida com todas as atrocidades do dia-a-dia, sairei desse casulo metamorfoseada, apenas me espere.  — B. Almeida


“Eu só queria poder te tocar.
Acordar todas as manhãs com teu sorriso ao meu lado. Ter o seu calor e seu colo nos momentos de fraqueza. Olhar-te dentro dos olhos, e ver um sorriso se abrir. Levantar teus óculos só para poder tocar seus lábios. Arrumar uma mecha dos teus cabelos para trás, para ver melhor seu rosto. Ouvir tua voz rouca sussurrar ao meu ouvido. Sentir seu cheiro adocicado invadir meu ar e ficar nas minhas roupas. Segurar na tua mão e entrelaçar nossos dedos. Brincar com o seu cabelo. Sentir seus braços envolta da minha cintura . Ter sua respiração misturada com a minha. Rir ao leve toque do seu nariz com o meu. Dar-te um presente com um laço vermelho gigantesco. Abraçar-te bem forte. Beijar teus lábios mais uma vez. Fazer você corar, só pra ver suas maçãs rubras. Mandar mensagens de saudades a cada 10 minutos.
Cantar tudo isso, te vendo adormecer. E te abraçar de novo. Sentar no teu colo e enlaçar seu pescoço. Fazer-te sorrir sempre que a tristeza chegar. Abraçar-te com mais força. Sorrir a cada mês a mais. Ter-te pra sempre e ser sempre sua. E poder falar que Te amo, sempre e sempre. Até meu último suspiro. Amar-te.”  — B. Almeida

“Eu só queria poder te tocar.

Acordar todas as manhãs com teu sorriso ao meu lado. Ter o seu calor e seu colo nos momentos de fraqueza. Olhar-te dentro dos olhos, e ver um sorriso se abrir. Levantar teus óculos só para poder tocar seus lábios. Arrumar uma mecha dos teus cabelos para trás, para ver melhor seu rosto. Ouvir tua voz rouca sussurrar ao meu ouvido. Sentir seu cheiro adocicado invadir meu ar e ficar nas minhas roupas. Segurar na tua mão e entrelaçar nossos dedos. Brincar com o seu cabelo. Sentir seus braços envolta da minha cintura . Ter sua respiração misturada com a minha. Rir ao leve toque do seu nariz com o meu. Dar-te um presente com um laço vermelho gigantesco. Abraçar-te bem forte. Beijar teus lábios mais uma vez. Fazer você corar, só pra ver suas maçãs rubras. Mandar mensagens de saudades a cada 10 minutos.

Cantar tudo isso, te vendo adormecer. E te abraçar de novo. Sentar no teu colo e enlaçar seu pescoço. Fazer-te sorrir sempre que a tristeza chegar. Abraçar-te com mais força. Sorrir a cada mês a mais. Ter-te pra sempre e ser sempre sua. E poder falar que Te amo, sempre e sempre. Até meu último suspiro. Amar-te.”  — B. Almeida

“Está na hora de me permitir. Permitir-me fechar os olhos e suspirar sem lembranças tuas, me permitir ficar em silêncio pelo resto dos tempos, me afundar em um travesseiro e nunca mais acordar, mas também não pretendo sonhar, quero apenas permanecer no meu escuro e explorar minha alma, desatar todo os nós que permanecem para finalmente arrumar essa bagunça que estou.
Também quero me permitir amar, mas amar certo, nada de expectativas ou idealizações, só pretendo te amar como se cada segundo não pudesse ser desperdiçado, como se cada sorriso eu dedicasse a você, e prometo não me importar com o frio na barriga, com a corrente elétrica que me atravessa quando me toca, com meu ciúmes sem fundamentos, como nossa distância aparente, com nada, só conosco.
E falta me desprender ao finito e ao incerto, e até mesmo a essas sensações de abandono completo, realmente sou diferente de qualquer outra pessoa, e eu gosto disso, não pretendo forçar uma aceitação a coisas novas, mas também desprezarei seu desprezo, não quero que entenda meu silêncio ou qualquer outra coisa, peço apenas que respeite essa minha maneira de querer dizer tudo sem dizer nada, ou não, acho que não haveria diferenças para mim.
E agora, vou me permitir ir parando lentamente de gastar energia com pessoas que vão desgastando meu coração e roubando o brilho do meu olhar, vou me permitir deixar para trás oque andava deixando meu olhar vago e meu rosto úmido. Vou me permitir um recomeço.” — B. Almeida

“Está na hora de me permitirPermitir-me fechar os olhos e suspirar sem lembranças tuas, me permitir ficar em silêncio pelo resto dos tempos, me afundar em um travesseiro e nunca mais acordar, mas também não pretendo sonhar, quero apenas permanecer no meu escuro e explorar minha alma, desatar todo os nós que permanecem para finalmente arrumar essa bagunça que estou.

Também quero me permitir amar, mas amar certo, nada de expectativas ou idealizações, só pretendo te amar como se cada segundo não pudesse ser desperdiçado, como se cada sorriso eu dedicasse a vocêe prometo não me importar com o frio na barriga, com a corrente elétrica que me atravessa quando me toca, com meu ciúmes sem fundamentos, como nossa distância aparente, com nada, só conosco.

E falta me desprender ao finito e ao incerto, e até mesmo a essas sensações de abandono completo, realmente sou diferente de qualquer outra pessoa, e eu gosto disso, não pretendo forçar uma aceitação a coisas novas, mas também desprezarei seu desprezo, não quero que entenda meu silêncio ou qualquer outra coisa, peço apenas que respeite essa minha maneira de querer dizer tudo sem dizer nada, ou não, acho que não haveria diferenças para mim.

E agora, vou me permitir ir parando lentamente de gastar energia com pessoas que vão desgastando meu coração e roubando o brilho do meu olhar, vou me permitir deixar para trás oque andava deixando meu olhar vago e meu rosto úmido. Vou me permitir um recomeço.” — B. Almeida